Recursos Humanos

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Altemir Carlos Farinhas

Absenteísmo é o nome dado à quantidade de faltas e aos atrasos dos empregados no trabalho, importante preocupação na administração de Recursos Humanos. E isso é um grande problema. A empresa é quem sofre com os prejuízos financeiros causados por atrasos na produção ou na entrega de mercadorias, perda de ritmo nas atividades a serem desenvolvidas, descontentamento de clientes, chefes e colegas de trabalho.

Pode até parecer que é simples e fácil resolver essa situação, mas não é. Aqueles que trabalham e se sentem sobrecarregados, comentam na “rádio corredor” tanto o que acontece com o funcionário quanto as medidas tomadas pela empresa, comentários quase sempre ampliados que vão minando o ambiente.

É preciso agir sobre as possíveis causas para estancar o prejuízo da empresa e não sobrecarregar os outros empregados. O gestor deve ficar atento ao que acontece perto e longe do seu alcance, ser um verdadeiro Sherlock Holmes, um “detetive consultor”. Ou seja, significa que o chefe pode ajudar seus funcionários, observando-os com sua habilidade de resolver problemas ou enigmas, apenas usando a faculdade de observação e de dedução.

Holmes, o personagem de Conan Doyle, demonstra ao longo das suas histórias, uma capacidade de dedução e um senso de observação impressionante, quando envolvido em algum problema. Pode passar noites sem dormir ou comer, até resolver definitivamente o enigma. Uma sugestão é fazer uma relação de perguntas e dados para identificar se o problema é financeiro.

– Quantos funcionários estão faltando?
– Com que frequência isso acontece?
– Qual a faixa salarial que mais apresenta esse comportamento?
– Quantos solicitam pedido de adiantamento de férias ou de décimo terceiro?
– Quantos estão pedindo demissão?
– O que a assistente social tem a dizer?
– E a entrevista com o médico, a ficha da anamnese diz alguma coisa?

O trabalhador pode atrasar-se ou faltar por enfrentar problemas de transporte, problemas climáticos, doenças, falecimento de um ente querido, problemas pessoais ou familiares, alcoolismo, entre outros. Atenho-me a falar sobre os problemas financeiros, dívidas ou dificuldades financeiras que tiram o sono do funcionário, que na maioria dos casos já está sem ânimo ou esperança.

Garanto que muitas dessas doenças e pressões que sofre o trabalhador tiveram sua origem ou forma potencializada por falta de administração das finanças pessoais. O empresário ou o gerente que apenas pune o funcionário, e fecha os olhos para o que está acontecendo ao redor, não compreende que está vendo apenas a ponta do iceberg. É muito mais fácil descontar e punir o empregado, porém essa não é a solução correta. O líder deve observar que o trabalhador precisa de ajuda, conversar com ele e entender que o fardo de quem está com dificuldades financeiras é muito pesado.

Endividamento dos brasileiros bate recorde e chega a R$ 555 bilhões
“Nunca o brasileiro deveu tanto. Entre cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos, imóveis – incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) -, a dívida das famílias atingiu no fim do ano passado R$ 555 bilhões. O valor é quase 40% da renda anual da população, que engloba a massa nacional de rendimentos do trabalho e os benefícios pagos pela Previdência Social…” (Fonte: http://www.estadao.com.br – Jornalista Márcia De Chiara – 15/02/2010)

A facilidade de crédito farto, prazos cada vez mais longos, empréstimo consignado, financiamentos, limite do cheque especial, do cartão de crédito, o marketing agressivo, a compra por impulso, a falta de controle, o lançamento de novos produtos, uma infinidade de coisas que afetam o trabalhador.

Invista em ajudá-lo, caso contrário você perderá os anos que investiu nele e terá que começar tudo de novo, demitindo um para contratar outro, com a grande probabilidade de encontrar mais uma pessoa em dificuldades financeiras. Um trabalhador que recebe R$ 700,00 e trabalha a 14 meses na empresa, ao ser demitido, pode gerar um custo superior a R$ 2.000,00. Fora tudo o que já foi gasto na contratação, na preparação, com treinamentos etc.

Grandes líderes em grandes organizações estão vendo mais do que faltas ou atrasos, percebem que existe um motivo e proporcionam Educação Financeira para todos os funcionários. Somente no primeiro semestre desse ano eu já atendi muitas empresas, foram mais de 80 palestras e 17 cursos. O investimento na contratação de uma palestra, se comparado ao gasto com a demissão de um funcionário, é irrisório. Um pequeno investimento para defender o maior patrimônio da empresa, o trabalhador.

http://www.rh.com.br/Portal/Motivacao/Artigo/6790/absenteismo-e-punicao.html

Conversando informalmente com um participante em um de meus seminários gerenciais, ele contou o seguinte:
Trabalhava em uma grande empresa e sempre almejei ter um cargo gerencial. Seria minha realização pessoal e profissional. Eu via os gerentes dessa grande empresa como pessoas destacadas do grupo. Estavam sempre usando roupas alinhadas, camisas finas e gravatas, tinham reuniões constantes. Tinham o poder de decisão. Eu achava tudo isso fascinante. 
Então, com o passar do tempo, já estando em um cargo de chefia no escalão intermediário, comandando uma pequena equipe, fui chamado pelo meu diretor que comunicou o que era de minha expectativa: estava sendo promovido a gerente nesta bela e exemplar empresa. Meu sonho estava sendo realizado. 
Num primeiro momento, um filme sobre meu futuro passou pela minha mente. Logicamente fiquei muito feliz tendo essa “visão”, pois isso representava para mim um status diferenciado. Novos desafios, novas perspectivas. Teria meu salário melhorado, uma participação anual, teria minha vaga no estacionamento privativo, uma garrafa de café na minha sala e uma mini geladeira. E ainda incorporaria outras áreas, teria mais pessoas sob meu comando. Na euforia eu pensei no ter antes de pensar no ser. 
Meu diretor, percebendo meu devaneio, chamou-me à realidade e enfaticamente fez-me perceber o que significa ser gerente: 
” A partir de hoje, você não precisa mais pensar em executar as atividades. Saiba que sua maior missão a partir de agora é desenvolver pessoas. Você terá muito mais subordinados do que tinha antes e eles têm cargo de supervisão, portanto irão fazer muitos questionamentos”. 
E continuando: 
“Esqueça todos os benefícios que o cargo lhe irá proporcionar. Se você não souber desenvolver as pessoas que irão fazer parte de sua equipe de nada adiantará essa sua promoção. Lembre-se sempre que ser gerente não é ter um título ou benefícios, mas sim conseguir resultados através de sua equipe de trabalho e de seus colegas na empresa. Se você não conseguir desenvolver pessoas, a notícia que hoje lhe está sendo agradável poderá tornar-se a pior delas”. 
“Eu sei que você passou por alguns treinamentos gerenciais e com seu potencial poderá se dar bem no cargo, mas isso é apenas o começo. Você já conseguiu alguns bons resultados em sua função atual e por esse e mais alguns motivos estamos dando-lhe uma promoção, mas o seu aperfeiçoamento deve ser constante. Lembre-se que o auto-desenvolvimento da carreira é fundamental. Não perca a oportunidade de adquirir novos conhecimentos. Isso irá facilitar muito seu desempenho”. 
Sábias palavras. Deveria ter dado maior atenção a elas. 
Embora eu tivesse algum conhecimento sobre atividades gerenciais, faltavam-me algumas habilidades, principalmente no trato com as pessoas. Nos primeiros meses “troquei as mãos pelos pés” algumas vezes. Quase cheguei a ter algum prejuízo com isso, mas procurei refletir sobre a orientação recebida. 
Eu pensava que sabia trabalhar com pessoas, desenvolvê-las. Pensava, ainda, que possuía o conhecimento e as habilidades necessárias para lidar com a equipe e realmente via que outros gerentes conseguiam melhores resultados com suas equipes do que eu conseguia com a minha. Mas qual a razão? Daí a colocar culpa naqueles que trabalhavam comigo foi fácil. Pudera, pensava eu, a qualidade da mão-de-obra desta região é ruim e eu tenho os piores funcionários. 
Mas, espere! A mão-de-obra de meus colegas, que têm melhores resultados, é desta mesma região. ALGO ESTÁ ERRADO e percebi que era comigo. Observei bem e pude notar que meus colegas gerentes tinham as competências fundamentais exigidas pelas empresas hoje, em que a gestão do conhecimento predomina. Observei muito e vi que uma delas é o gerenciamento da própria carreira, a comunicação clara, a cooperação e eles aprenderam a aprender, foram treinados e participavam de cursos de aperfeiçoamento sem esperar que a empresa os enviasse para esse desenvolvimento profissional e, por isso, sabiam liderar os membros de suas equipes e conseguiam resultados expressivos. 
Quantos erros cometi! Eu não havia percebido que o mundo havia mudado tão rapidamente e eu não enxergava isso claramente. Eu precisei mudar, e rápido, o que não foi fácil, pois as pessoas – e aí eu me incluí – não gostam de mudanças. Mas eu o fiz. Isso foi extremamente necessário. Atualmente estou em constante aprendizado e assim consegui e consigo melhores resultados com a equipe. Percebi que tenho a melhor equipe e acredite: é incrível, mas as pessoas ainda são as mesmas! 
Eu nunca mais esperei ser convocado a participar de cursos e treinamentos necessários ao meu desempenho. Eu vou até eles! É por isso que estou aqui. 
Posso dizer que esse gerente, após poucos anos, conseguiu resultados de tal maneira que hoje não é mais gerente e sim diretor superintendente de uma das unidades dessa grande empresa.

http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=8bvsdbac2